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Opções de Tratamento: Cuidados Paliativos

O cuidado paliativo é uma abordagem médica multidisciplinar que objetiva a melhoria na qualidade de vida do paciente e de seus familiares, ao realizar a prevenção e o alívio de sofrimento, diante de uma doença que ameaça a vida. Para efetivá-la é necessária a identificação precoce da dor, assim como avaliações e tratamentos impecáveis da mesma, além de abordar outros problemas físicos, psicológicos e espirituais.

Em concordância com associações importantes na área oncológica, como o National Comprehenive Care Network (NCCN) e a própria Organização Mundial de Saúde (OMS), o cuidado paliativo pode auxiliar o paciente desde o diagnóstico do câncer até o final de vida e, inclusive, na fase pós-óbito (atendimento a familiares em luto). O cuidado paliativo, através do controle de sintomas, é particularmente útil para auxiliar o paciente a tolerar o tratamento oncológico, seja controlando eventos adversos do tratamento ou melhorando suas condições clínicas para que este seja tratado de forma mais adequada (com cirurgia, radioterapia ou tratamento sistêmico).
 
Nos pacientes sem possibilidades de tratamento com cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia, especialmente naqueles com doenças avançadas em estágios terminais, os cuidados paliativos tornam-se essenciais. Nestas situações, a equipe de cuidados paliativos atua de forma harmoniosa e interligada, visando em última instância, a melhora e manutenção da qualidade de vida e alívio de sofrimento dos pacientes e de seus familiares.
 
Essa prática adquiriu tanta importância, que em 2003, o Hospital de Câncer de Barretos criou a Unidade de Cuidados Paliativos (UCP), localizada em sua Unidade – II no Hospital São Judas Tadeu.
 
A UCP atende os pacientes que são encaminhados do Centro de Intercorrência, Clínicas Cirúrgica e Médica, Radioterapia, Quimioterapia e Ambulatório da própria Fundação Pio XII. É composta por 62 leitos, sendo 40 leitos para tratamentos paliativos e 22 para clínicos oncológicos. Nessa estrutura, são atendidos em média 120 pacientes internados por mês, com uma média de permanência de 12 dias. A UCP possui também um ambulatório exclusivo para pacientes em cuidados paliativos e controle da dor, com capacidade para o atendimento médio de 750 pacientes/mês. Ainda dentro dessa modalidade, são realizados até 30 atendimentos domiciliares por mês (divididos em Visitas Domiciliares e Internações Domiciliares), destinados aos pacientes domiciliados em Barretos, que devido à evolução da doença, podem possuir dificuldades e limitações para virem nas consultas ambulatoriais.
 
Norteados pelo princípio da qualidade de vida e da humanização no atendimento, o acompanhante/cuidador do paciente permanece em tempo integral, interagindo com a equipe, outros pacientes e demais familiares. O serviço possui horários de visitas estendidos (das 12 h às 20 h), permitindo assim, um acompanhamento maior da família. Há atividades sócio-recreativas com os pacientes e acompanhantes, como exemplo, a realização de café da manhã para os pacientes, acompanhantes e equipe, com o objetivo de integrar e socializar. Além disso, também são realizados bingos, passeios no Parque do Peão, pesqueiros e outras visitas.
 
Para garantir o atendimento holístico e individualizado ao paciente e aos familiares, a UCP conta com uma equipe multiprofissional composta por: Médicos, Enfermeiros, Fisioterapeutas, Psicólogos, Nutricionistas, Farmacêuticos, Fonoaudiólogos, Terapeutas Ocupacionais, Musicoterapeutas, Assistentes Sociais, Assistentes Espirituais e Voluntários da Associação de Voluntários de Combate ao Câncer (AVCC). Dessa forma, o paciente é valorizado em sua totalidade e não apenas de forma fragmentada, como apenas um portador de câncer.
 
Assim como em países do primeiro mundo, o Hospital de Câncer de Barretos oferece um serviço de cuidados paliativos de qualidade aos seus pacientes, com o objetivo de controlar os sintomas desconfortáveis, valorizando a vida e o paciente e não apenas a própria doença. Dessa forma, o paciente recebe respeito, dignidade e conforto em todas as fases da doença, de forma concomitante ao tratamento direcionado especificamente ao câncer, como a quimioterapia, cirurgia ou radioterapia. 
 
Equipe médica
 
É composta por quatro médicos especialistas de áreas diferentes (especialista em dor, geriatra, oncologista clínico e cirurgiã oncológica), com atuação em cuidados paliativos. Esta diversidade de especialidades pode proporcionar uma adequada inter-relação e troca de opiniões científicas, onde o maior beneficiado é o próprio paciente.
 
Enfermagem
 
A Equipe de Enfermagem é Composta de por um Enfermeiro Coordenador, 10 Enfermeiros Assistenciais e 46 Técnicos de Enfermagem. Integrando com a equipe multiprofissional, minimizando riscos, visando à segurança e o bem estar do paciente e familiar.  A Assistência de Enfermagem é pautada nos cuidados integrais seguindo três métodos de conduta essenciais para a qualidade do atendimento, entre eles:
 
Sistematização da Assistência - Uma atividade particular do enfermeiro, que seguindo métodos e estratégias pautadas em trabalho científico, possibilita identificar as situações de saúde adequadas, subsidiando a prescrição e implementação das ações da Assistência de Enfermagem, para que elas possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação em saúde do indivíduo família e comunidade.
 
Classificação da Complexidade Assistencial - Análise e estudo efetivado em conjunto ao perfil do paciente e do tipo da enfermidade em que ele esta acometido, para poder classificá-lo em um conjunto de medidas adequadas para efetivar uma assistência de qualidade em termos de recursos humanos, médicos, sociais e materiais, não só para o paciente, mas também destinada a seu acompanhante/cuidador.   
 
Gerenciamento de Risco - Processo complexo de análise que se utiliza das ciências físicas, médicas e sociais com o objetivo de avaliar e comparar – com dados e medidas já pré-existentes –, como podem desenvolver-se os padrões de risco individuais na assistência a um paciente específico. Esses mesmos padrões são utilizados para evitar situações, procedimentos, condutas, condições, atitudes e determinações com potencialidade negativa de acontecer, procurando minimizar os danos e problemas envolvidos, caso haja uma inevitável ocorrência.
 
Farmacêuticos
 
O farmacêutico tem a função de orientar a equipe multidisciplinar, uma vez que esses pacientes utilizam inúmeras drogas com fins terapêuticos e médicos, várias vezes ao dia. É necessário viabilizar o tratamento adequando os medicamentos, além de orientar o paciente e acompanhante/cuidador sobre o uso correto, os efeitos colaterais e as interações medicamentosas, atuando em parceria com os prescritores e participando de discussões de casos em equipe.
 
Psicólogos
 
Em cuidados paliativos, cuidar das emoções do paciente e de sua família (assim como da equipe que representa o atendimento a ele) é tão importante quanto os próprios cuidados físicos. Nesse contexto, o psicólogo colabora para melhoria na qualidade de vida de todas as pessoas envolvidas no processo de adoecimento. Uma das atuações possíveis do psicólogo, é a escuta clínica ao paciente a fim de conhecer sua individualidade, suas limitações e ajudá-lo a reconhecer e transformar a forma de “olhar” suas condições e o seu contexto, que quando impulsionado negativamente, somente traz prejuízo e dificuldades para o tratamento. A equipe desta área também estimula o enfermo, a família, a equipe e outras pessoas a pensar e falar livremente sobre a situação, legitimando assim, o sofrimento das pessoas envolvidas e a contribuição para a elaboração das experiências de adoecimento, processos de morte e luto.
 
Musicoterapeuta
 
Segundo a definição de Rosemyriam Cunha, “a musicoterapia é uma ciência que tem como objeto de estudo a utilização de sons, da música e seus elementos constituintes, com a finalidade terapêutica desenvolvendo um processo musicoterápico com objetivos específicos, o atendimento pode ser individual ou em grupo”. A musicoterapia em cuidados paliativos perpassa o saber científico para atuar em um contexto paliativo, ampliando a audição musical para alcançar os objetivos e atender as necessidades dos pacientes e familiares.
 
A Musicoterapia iniciou na Unidade de Cuidado de Paliativos em abril de 2008. Os atendimentos se realizam nos quartos com os pacientes e acompanhantes/cuidadores, buscando compreender as necessidades e estabelecerem objetivos e estratégias. Assim, os atendimentos são adaptados para o contexto hospitalar, compreendendo que o processo terapêutico é único em cada atendimento, em um processo com começo, meio e fim.
 
Assistente social
 
É específico do Assistente Social, o conhecimento e a abordagem sobre a realidade socioeconômica da família, bem como os aspectos culturais que envolvem esse universo. Atua como facilitador e intermediador entre paciente/família nas políticas públicas e nos direitos do paciente, fatores fundamentais para se alcançarem muitos dos objetivos almejados em Cuidados Paliativos. 
 
Terapeuta ocupacional
 
A terapia ocupacional soma-se a equipe de cuidados paliativos ao tentar proporcionar aos pacientes assistidos, a possibilidade de resgatar atividades significativas e trazer maior autonomia nestas (sejam elas atividades de vida diária, de lazer ou distração). O trabalho assiste também aos cuidadores/acompanhantes na construção um espaço acolhedor, saudável, de maior convivência com o paciente e com a própria equipe de assistência.
 
Nutricionista
 
O trabalho realizado pela nutricionista do Hospital de Câncer de Barretos em cuidados paliativos envolve o acompanhamento tanto no momento da internação, como em nível ambulatorial e em visitas domiciliares. Essa função busca melhorar a qualidade de vida dos pacientes, através do melhor suporte nutricional possível, aliviando sintomas como anorexia, hiporexia (falta de apetite), desnutrição, constipação, diarréia, entre outros.
 
Fisioterapeuta
 
A fisioterapia na Unidade de Cuidados Paliativos atua no controle de sintomas como dor, fadiga, linfedema (inchaço de uma parte do corpo, comum nos braços e nas pernas, devido a uma acumulação do fluido linfático no tecido), dispnéia (falta de ar e desconforto para respirar) e hipersecreção pulmonar. Para efetivar-se esse controle, são utilizadas técnicas de relaxamento, drenagem linfática manual, eletroterapia, massoterapia (técnicas de massagem para finalidade terapêutica), exercícios respiratórios e motores, alongamentos musculares e utilização de órteses (aparelhos de uso provisório com objetivos preventivos, corretivos ou funções de alinhamento no sentido de ajudar nas deformidades e/ou melhorar a função das partes móveis do corpo). Estas técnicas objetivam viabilizar altas hospitalares, melhorar capacidade funcional e proporcionar uma melhor qualidade de vida.
 
Fonoaudiólogo
 
Em cuidados paliativos, o fonoaudiólogo atua especialmente na avaliação e orientação em relação aos distúrbios da deglutição, com o objetivo de viabilizar e restabelecer a alimentação por via oral, proporcionando assim, conforto e o prazer da alimentação. O fonoaudiólogo também pode desenvolver estratégias para melhorar a comunicação de pacientes, familiares e equipe de saúde. Pacientes com cânceres na região de cabeça e pescoço, frequentemente apresentam prejuízo da fonação e a atuação do fonoaudiólogo se torna essencial para o seu benefício.
 
Assistente espiritual
 
Na UCP do Hospital de Câncer de Barretos o assistente espiritual tem a importante função de abordar aspectos relacionados à espiritualidade/religiosidade. Os pacientes com câncer avançado, assim como seus acompanhantes, cuidadores e familiares, comumente utilizam-se da espiritualidade/religiosidade para enfrentar a difícil etapa do final de vida. Um aspecto fundamental é o respeito irrestrito a todas as opções religiosas, sendo o mais importante o estimulo à elevação do pensamento e aproximação com Deus, especialmente na forma de orações/preces.
 
Comunidade Contra o Câncer
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